Relatividade Geral

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spica Relatividade Geral

Mensagem  mktahim em Qua 01 Fev 2012, 22:08

Olá a todos!

Estou criando este tópico para discutir aspectos de Relatividade Geral. Se alguém estiver interessado, aqui poderá ser um bom lugar do espaço-tempo!

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spica Re: Relatividade Geral

Mensagem  Bruno em Qui 02 Fev 2012, 09:40

Olá, seja bem vindo.
Em se tratando da Teoria da Relatividade, relembremos uma experiência realizada no CERN.
A experiência consistiu em terem acelerado um feixe de neutrinos do Cern até ao laboratório de Gran Sasso, na Itália.
O tempo gasto pela luz para percorrer os 730km que separam o Cern do laboratório de Gran Sasso foi de 2,43 milésimos de segundo, enquanto que o tempo gasto pelos neutrinos foram 60 bilionésimos de segundo mais rápidos do que a luz, deixando-a 14,6 metros atrás.
Mesmo que por hora continue existindo ainda um limite dilatado pelos neutrinos acelerados, começam a se tornarem inconsistentes modelos propostos pela Ciência Oficial como a velocidade da luz sendo intransponível.
Embora a velocidade instantânea seja apenas ainda um conceito, a cada dia que passa, uma velocidade superior a da luz dá cada vez mais mostras de ser uma realidade.
O problema não é invalidar um postulado da Teoria da Relatividade, o limite imposto pela velocidade da luz foi dilatado e o próprio Einstein teria de reconher isso.
Inclusive naquela experiência do "tunelamento" realizada pelos chineses os próprios fótons foram acelerados, não foram precisos neutrinos, inclusive os fótons superariam eles pois não foi possível medirem as suas velocidades de tão rápidos que foram.
Discutir sobre o resultado dessa experiência do CERN não foge ao rigor científico, uma vez que o que se está sendo discutido vem de resultados empíricos realizados por instituições que são referência em rigor científico como o próprio CERN.
É perfeitamente normal eles terem de refazer esses testes, isso é muito científico, porém o resultado dessa única experiência já implica em uma nova visão do cosmo.
A matemática sim, mas o universo não é uma ciência exata, e com toda essa "incerteza" Heisenberg haveria de concordar também com isso e a cosmologia se desenvolveu não de resultados sofisticadamente empíricos como os de agora, mas de visões pessoais e deduções baseadas em experimentos principalmente visuais e com poucos recursos, vejam o de Kant por exemplo.
Retomando, um fóton tem massa de repouso zero, ele não pode decair no vácuo em um par elétron-pósitron ou neutrino-antineutrino, conservando tanto o momentum quanto a energia, já que no centro de massa do par, tanto a energia quanto o momentum são nulos.
Entretanto, os fótons em um gás denso têm uma massa efetiva, e são chamados de plasmas.
Como os plasmas têm uma massa efetiva, eles podem decairem em pares. Sabemos que o Hidrogênio convertido em Hélio no interior do Sol pelo processo de desintegração atômica promove a formação de neutrinos.
Este processo é chamado de plasma neutrinos, e é dominante na remoção de energia térmica de núcleos degenerados até de gigantes vermelhas, núcleos de nebulosas planetárias e anãs brancas quentes por exemplo.
Pode perfeitamente ser o processo gerador dos neutrinos utilizado no experimento realizado pelo CERN o que está causando essa sensação de erro e imprecisão.
Sendo então, como o fóton possui uma massa efetiva, ou seja, essa massa existe de fato, isso realmente causa um impedimento para se ultrapassar a atual velocidade limite no universo, pois o processo para se obter tal feito não pode ser através de um acréscimo de energia, já que para quem se move à velocidade da luz, se houver um acréscimo de energia teremos então um aumento de massa e isso só iria piorar tudo.
Bem, como a energia cinética depende da massa nuclear pode-se então adquirir mais energia cinética à partir de núcleos com menos massa, e como os neutrinos tem uma massa quase nula estariam eles mais favorecidos do que os fótons para realizarem tal feito verificado no experimento do CERN?



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spica sobre os neutrinos mais velozes que a luz(???)

Mensagem  mktahim em Dom 05 Fev 2012, 21:27

Olá Bruno!

Este assunto é muito bom de ser discutido sim! Minha opinião a respeito é que devemos esperar um pouco mais antes de dizer que Einstein admitiria alguma mudança na estrutura de sua teoria. O fato é que existem trabalhos que mostram o seguinte: se o neutrino pode viajar a velocidades mais rápidas que a luz, deveríamos observar alguns outros tipos de decaimentos...e estes não são observados! Logo, realmente algo deve ser observado com calma antes de detonarmos a relatividade especial. Vou procurar o trabalho em si...mas sei que ele foi publicado na Physical Review Letters. Você pode também ver no site www.slac.stanford.edu/spires/hep/search. Basta colocar as palavras chave "neutrino opera" na busca por título...e todos os trabalhos ligados a esta experiência serão listados. Bem... existem muitas explicações que não alteram a estrutura matemática da relatividade. Exemplos são dimensões extras (o neutrino tomaria um atalho pelas dimensões extras) e espaços não-comutativos (um lugar onde x multiplicado por y não é igual a y multiplicado por x!). Existe outra que se chama DSR (Double Special Relativity), onde a teoria de Einstein possui uma reformulação em sua estrutura matemática (sem mudança na velocidade da luz). No entanto, ainda precisamos de mais informações a respeito destas idéias...comprovações experimentais. Particularmente não acompanho muito o desenrolar desta experiência...mas posso lhe dizer que muita gente está em estado de choque.

Eu gostaria também de comentar aqui algumas coisas que você escreveu. A primeira delas é que a discussão que se faz do neutrino é basicamente física clássica: a relatividade é uma teoria clássica. Logo não podemos misturar estas idéias com, por exemplo, física quântica. Cito isso por que existe uma falsa idéia de que tunelamento de partículas pode levar à velocidades superluminais. Tunelamento quântico é bastante bem entendido.

Outro ponto que eu gostaria de citar está relacionado ao decaimento do fóton. O fóton pode sim decair em um par elétron-pósitron. Basta para tal que ele tenha energia suficiente. Isto não significa que sua velocidade mudará. Raios gama tem energia maior que raios infravermelho. São justamente os raios gama que decaem em pares elétrons-pósitrons (os famosos raios V). Não sei quanto a decaimento em neutrinos-antineutrinos (nunca ouvi falar!).

Por último, gostaria de ver a fonte onde você leu a respeito de "plasma de neutrinos". Isto soa estranho, porque neutrinos não tem carga...não podem ser controlados como o plasma usual que é carregado.

abraços,

Makarius

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spica achei o trabalho!

Mensagem  mktahim em Dom 05 Fev 2012, 21:49

Phys. Rev. Lett. 107, 251801 (2011) [4 pages]
Superluminal Neutrinos at OPERA Confront Pion Decay Kinematics

Ramanath Cowsik1, Shmuel Nussinov2,3, and Utpal Sarkar1,4
1Department of Physics and McDonnell Center for the Space Sciences, Washington University, St. Louis, Missouri 63130, USA
2School of Physics and Astronomy, Tel Aviv University, Ramat Aviv, Tel Aviv 69978, Israel
3Schmidt College of Science, Chapman University,Orange California 92866, USA
4Physical Research Laboratory, Ahmedabad 380009, India
Received 2 October 2011; revised 5 December 2011; published 16 December 2011


Violation of Lorentz invariance (VLI) has been suggested as an explanation of the superluminal velocities of muon neutrinos reported by OPERA. In this Letter, we show that the amount of VLI required to explain this result poses severe difficulties with the kinematics of the pion decay, extending its lifetime and reducing the momentum carried away by the neutrinos. We show that the OPERA experiment limits α=(vν-c)/c<4×10-6. We then take recourse to cosmic-ray data on the spectrum of muons and neutrinos generated in Earth’s atmosphere to provide a stronger bound on VLI: (v-c)/c<10-12.

© 2011 American Physical Society


OLá..o bixo está em inglês... depois eu traduzo,se for o caso!

Makarius

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spica Um bom artigo na rede sobre neutrinos do OPERA

Mensagem  mktahim em Dom 05 Fev 2012, 22:02

Vai reproduzido logo abaixo um artigo bastante didático sobre os neutrinos "superluminais". Encontrei no endereço ""http://scienceblogs.com.br/universofisico/2011/12/neutrinos-mais-rapidos-que-a-luz-cada-vez-mais-dificeis-de-explicar/. Boa leitura!

Mais uma vez os neutrinos mais rápidos que a luz esbarraram com a física conhecida. E dessa vez a trombada foi feia, muito pior que das outras vezes. Uma nova análise do polêmico resultado do experimento OPERA, cujo anúncio em setembro deste ano deixou tanto o público quanto a comunidade dos físicos em estado de choque, confrontou as conclusões do experimento com princípios básicos do movimento das partículas elementares, tais como a conservação da energia e do momento, assim como os dados de diversos experimentos espalhados pelo mundo, que detectam os neutrinos criados na colisão dos raios cósmicos com átomos da atmosfera da Terra. A conclusão da análise foi que, mesmo se a teoria da relatividade de Einstein, que proíbe a existência de partículas mais rápidas que a luz, não for totalmente verdadeira, mas apenas uma boa aproximação da realidade, mesmo assim os neutrinos mais rápidos que a luz supostamente detectados pelo OPERA não deveriam existir.

O físico Ramanath Cowsik, da Universidade Washington, em Saint Louis, no Missouri (EUA), junto com seus colegas Shmuel Nussinov e Utpal Sarkar, descobriram que o problema com os neutrinos mais rápidos que a luz começa exatamente quando eles são formados. No polêmico experimento, esses neutrinos nascem na Suíça a partir de um feixe de prótons em um laboratório do CERN. Quando os prótons colidem com um alvo de carbono, parte da sua energia se transforma em partículas chamadas mésons, principalmente os do tipo chamado píons, que viajam por um túnel a vácuo guiadas por um campo magnético, até que em um dado momento essas partículas se transformam em múons (uma espécie de elétron gordo e de vida curta) e neutrinos do múon. Esses neutrinos seguem debaixo da terra por 730 km, atravessando os Alpes, até colidirem com os detectores do OPERA, instalados a 1.400 metros de profundidade, no Laboratório Nacional de Gran Sasso, próximo a Roma, na Itália. A questão toda é o fato desses neutrinos terem chegado em média 60 nanossegundos antes que a luz demoraria para percorrer o mesmo caminho.

Fora a possibilidade de que haja um erro desconhecido nessa medida, um erro tão sutil que mesmo depois de meses de checagem e rechecagem nenhum dos 160 físicos que trabalham no experimento o tenha conseguido identificar, a explicação mais simples proposta até a agora é a de que a teoria da relatividade de Einstein não seja exatamente correta. Assim como hoje sabemos que, embora extremamente úteis, as leis do movimento da teoria da mecânica clássica de Isaac Newton são apenas aproximações válidas em certas circunstâncias, derivadas das leis da teoria da relatividade, a própria teoria da relatividade seria a aproximação de uma teoria desconhecida.

Mesmo sem saber os detalhes dessa teoria desconhecida, os físicos podem calcular as consequências de se considerar a relatividade uma aproximação. O coração da relatividade é uma estrutura matemática chamada de simetria ou invariância de Lorentz. Essa simetria implica que as leis da física são as mesmas para observadores em movimento uniforme e que a velocidade da luz é a mesma para qualquer observador. A ideia é que a teoria desconhecida resultaria em uma pequena quebra nessa simetria. Einstein estaria errado, mas só um pouquinho. A medida do movimento superluminal dos neutrinos do OPERA, por exemplo, sugere que a invariância de Lorentz seja violada em aproximadamente uma parte em cem mil.

O que Cowsik e seus colegas fizeram foi calcular qual seria o efeito de uma violação da invariância de Lorentz na transformação dos píons em múons e neutrinos do múon. O cálculo deles é simples de fato, assumindo apenas coisas bem básicas como a conservação da energia e do momento linear. A conclusão, publicada em 24 de dezembro na revista Physical Review Letters (preprint), é que quanto mais os neutrinos viajam mais rápidos que a luz, mais tempo os píons demoram para se transformarem, e uma fração cada vez menor da energia dos píons é transferida aos neutrinos.

Eles calcularam que, se o tamanho da violação da invariância de Lorentz for mesmo a sugerida pelo resultado do OPERA, o tempo de vida dos píons seria seis vezes maior que o observado, além do que não seriam observados neutrinos superluminais com energias maiores 5 GeVs. Os neutrinos detectados pelo OPERA, porém, tinham energias em torno de 20 GeVs, o que mostra que o resultado experimental não é consistente com premissas da física ainda mais fundamentais que as da teoria da relatividade.

Além disso, o trio de físicos resolveu comparar seus cálculos para os píons com os dados da detecção de múons e neutrinos do múons produzidos a partir de píons originados na colisão de raios cósmicos com átomos da atmosfera. Em particular, compararam seus cálculos com resultados recentes do maior telescópio de neutrinos em atividade, o gigantesco IceCube, localizado no Pólo Sul. E o resultado foi que, se existe mesmo uma violação da invariância de Lorentz, ela não deve ser maior que uma parte em mil bilhões, isto é, pelo menos cem milhões de vezes menor que a violação que resultado do OPERA sugere.

Os cálculos deles também mostraram que a situação só piora se essa violação da invariância de Lorentz depender da energia do neutrino, o que deveria acontecer para compatibilizar a medida do OPERA com outra medida da velocidade dos neutrinos, feita em 1987. Naquele ano, o experimento japonês Kamiokande detectou os neutrinos vindos da explosão de uma estrela na Grande Nuvem de Magalhães, a 168 mil anos-luz daqui, a supernova 1987A, e verificou que os neutrinos não viajam mais rápidos que a luz (se a velocidade dos neutrinos fosse a medida pelo OPERA, as partículas teriam chegado quatro anos antes na Terra). A energia dos neutrinos da 1987A, porém, era mil vezes menor que a dos neutrinos do OPERA, o que abre a possibilidade de que a violação dependa da energia. Mas essa mesma dependência não permitiria que os neutrinos superluminais de alta energia se formassem, de acordo com os cálculos de Cowsik e colegas, o que novamente torna o resultado do OPERA inconsistente com as leis da física.

Essa não é a primeira demonstração de que os neutrinos superluminais não podem ser explicados por uma violação da invariância de Lorentz. Em um trabalho semelhante publicado em outubro na Physical Review Letters (preprint), Andrew Cohen e Sheldon Glashow, ambos da Universidade de Boston, EUA, demonstraram que neutrinos superluminais tenderiam a perder energia ao longo do caminho, emitindo pares de elétrons e pósitrons (a antipartícula do elétron), de maneira semelhante a geração da onda de choque produzida por um avião quando quebra a barreira do som. Pelos cálculos de Cohen e Glashow, o OPERA não deveria detectar neutrinos com energias superiores a 12 GeVs, sendo que de fato alguns dos neutrinos chegavam a ter energias maiores que 40 GeVs. Outro experimento em Gran Sasso, o ICARUS, buscou por sinais da emissão de elétrons e pósitrons e nada encontrou.

Ao que parece, uma violação simples da invariância de Lorentz está descartada para explicar as medidas do OPERA. Como Cowsik e colegas comentam em seu artigo, pode ser que a violação tenha uma dependência da energia com termos matemáticos que precisamente cancelem o efeito que eles descobriram, mas isso soa bastante improvável. Se a medida do OPERA for confirmada, a física talvez passe por uma grande revolução, que no entanto manterá a relatividade de Einstein intacta.

***

P.S.: Pouco antes de publicar esse post encontrei este artigo interessante, em que os autores notam que todos os efeitos descritos acima que tornam o resultado do OPERA absurdo não existiriam se em vez da simetria de Lorentz ser quebrada, ela seja levemente deformada. Esse é um cenário teórico que alguns dos autores desse paper, os físicos Lee Smolin e Giovanni Amelino-Camelia vêm investigando há alguns anos, inclusive buscando por sinais de deformação na simetria de lorentz em observações de raios X, raios gama e raios cósmicos de altíssima energia vindos de explosões cósmicas extremas, até agora sem sucesso.



Referências:

Cowsik, R., Nussinov, S., & Sarkar, U. (2011). Superluminal Neutrinos at OPERA Confront Pion Decay Kinematics Physical Review Letters, 107 (25) DOI: 10.1103/PhysRevLett.107.251801
[i]

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spica Re: Relatividade Geral

Mensagem  Bruno em Dom 05 Fev 2012, 22:26

Olá Makarius, vc fez boas postagens, valeu mesmo, e escreveu:
-"Logo não podemos misturar estas idéias com, por exemplo, física quântica." e depois me perguntou: "gostaria de ver a fonte onde você leu a respeito de "plasma de neutrinos". Isto soa estranho, porque neutrinos não tem carga...não podem ser controlados como o plasma usual que é carregado."

Bem, não tive como deixar a física quântica de lado pois podemos quantizar uma oscilação na frequência de um plasma como por exemplo durante o decaimento de um magneto-plasma em um par neutrino/anti-neutrino e que é conhecido na teoria da interação eletro-fraca.
Quanto ao plasma de neutrinos e o fato de soar estranho pois neutrinos não tem carga, realmente soa mesmo pois ao se usar o método da física de plasma a carga efetiva em um neutrino superdenso de dois elétrons pode ser determinada em um plasma de Fermi pois ele tem grupos distintos de elétrons.


Última edição por Bruno em Seg 19 Mar 2012, 21:20, editado 1 vez(es)
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spica Re: Relatividade Geral

Mensagem  Bruno em Dom 18 Mar 2012, 13:40

Parece que a rigidez (por vezes realmente necessária) nas regras de aceitação na Comunidade Científica Internacional leva à declarações como as palavras que reproduzo abaixo, proferidas pelo vice-presidente da SBF e também físico do CBPF Ronald Shellard a respeito da experiência do CERN com os neutrinos:

"A comunidade física está olhando com muito ceticismo os resultados".
"Se for verdade, seria fantástico, mas é muito difícil ser verdadeiro"
"A possibilidade de erros numa medida dessas, o que a gente chama de erros sistemáticos, causados por efeitos não levados em conta, como a variação do tamanho da Terra, ou efeitos de maré, podem explicar a discrepância."


-Eu fico me perguntando: já que a possibilidade de erros sistemáticos podem explicar a discrepância nos resultados, os acertos não estariam também sujeitos a sofrerem discrepâncias?
-A variação do tamanho da Terra ou os efeitos de maré afetam somente os resultados considerados errados ?
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spica Re: Relatividade Geral

Mensagem  Xevious em Ter 20 Mar 2012, 12:45

Bruno escreveu:-Eu fico me perguntando: já que a possibilidade de erros sistemáticos podem explicar a discrepância nos resultados, os acertos não estariam também sujeitos a sofrerem discrepâncias?
-A variação do tamanho da Terra ou os efeitos de maré afetam somente os resultados considerados errados ?[/justify]
Na minha opinião, não existe nada perfeitamente preciso, sempre se trabalha com aproximações, talvez em alguns casos se chegue a resultados bastante precisos, mas provavelmente no futuro com equipamentos mais minuciosos chegaríamos a resultados mais precisos ainda.

E considero esta "imperfeição" como que uma dávida, porque não precisamos ter absoluta certeza dos resultados para chegar a uma conclusão, isto é próprio da mente humana.

Como por exemplo, quando olhamos para um rosto.
Instantaneamente chegamos a conclusão que é alguém conhecido ou não, e nossa chance de acertar é grande, mas as vezes erramos.
Mas se fossemos um computador, até examinar todos os detalhes, demoraria muito e alguma pequena mudança na pessoa poderia faze-la passar por desconhecida.

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spica Re: Relatividade Geral

Mensagem  Bruno em Ter 20 Mar 2012, 19:25

Xevious escreveu: "Na minha opinião, não existe nada perfeitamente preciso".
Também creio ser impossível separar uma partícula de modo que ela não sofra nenhuma influência, pois qualquer uma que exista ou apareça deriva de outra.
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spica Relatividade Geral...não teorias de medidas

Mensagem  mktahim em Seg 26 Mar 2012, 13:31

Olá pessoal! Criei este tópico para discutir/aprender/compartilhar aspectos de relatividade geral...e a coisa andou para discussões sobre "medidas".. Então apelo aqui pela manutenção da linha das idéias...caso contrário, não seremos bem entendidos quando lidos.... uma sugestão boa pode ser a criação de um novo tópico sobre medidas em física! Que tal vcs acham? Eu acho que seria uma boa...é uma assunto tão importante quanto os demais.

Mesmo assim gostaria de comentar sobre erros de medidas. Todas as medidas físicas que fazemos possuem erros. O engraçado é que podemos também medir o tamanho de um erro de medida (depois posso escrever a respeito disso com mais detalhe...mas a idéia é a seguinte: podemos medir o tamanho de um carro com uma régua com marcações em Quilômetros?...certamente teremos um erro nessa medida!!!!)...isto serve de guia para se saber se uma medida é boa ou não, se merece confiança ou não. O fato é que em Física faz-se uma previsão considerando-se todos os aspectos que podem influenciar a experiência. Depois medimos em laboratório e comparamos. Se os resultados são próximos, então nossas considerações são boas...e podemos refinar mais e mais as medidas e as previsões de modo a diminuir mais e mais erros. No caso de haver discrepância entre previsões e medidas, então, realmente deve-se ter cuidado. Não é de uma hora para a outra que decreta-se a decadência ou surgimento de teorias (a ciência seria uma feira e avanços reais em tecnologia não aconteceriam rápido). Se faz necessário um monte de testes e re-testes...afinal, as idéias vigentes tem acertos também. Há realmente uma inércia da comunidade científica --- é um modo de discussão também...mas isso é natural (até hoje tem gente que acha que o homem não foi para a lua---tem mesmo gente que acredita que não existimos agora!!!!!).

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spica Re: Relatividade Geral

Mensagem  Bruno em Ter 27 Mar 2012, 01:38

Oportuna intervenção Mkatahim, essa questão de medidas, ainda mais com resultados que não são absolutos é uma questão que deve ser levada em consideração, já que todas as medidas físicas possuem erros, ou eu diria imprecisões, como quando tentamos detectar o elétron dentro de um orbital por exemplo. Então supomos a sua localização em uma área em que pode ser encontrado em qualquer ponto a um determinado tempo dentro do orbital.

Você escreveu: "Se os resultados são próximos, então nossas considerações são boas...e podemos refinar mais e mais as medidas e as previsões de modo a diminuir mais e mais erros."
Nesse caso, os resultados considerados corretos seriam então os que se encontram mais próximos da mínima imprecisão?
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spica E os neutrinos foram um fiasco...????????

Mensagem  mktahim em Qui 19 Abr 2012, 09:17

iG São Paulo | 22/02/2012 19:32 - Atualizada às 21:35

Neutrinos mais rápidos que a luz foram resultado de um cabo solto
Cientistas descobriram falha no equipamento que gerou uma das maiores polêmicas científicas do ano passado




Todos podem dormir sossegados: a Teoria da Relatividade de Albert Einstein está salva por enquanto. Os neutrinos mais rápidos que a luz, descobertos no ano passado por físicos do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (na sigla em francês, CERN) nada mais foram do que resultado de uma má conexão entre um dos computadores e o GPS do experimento.

Em setembro de 2011, físicos do experimento OPERA descobriram que neutrinos (pequenas partículas subatômicas) estavam fazendo a viagem entre dois laboratórios, uma na Suíça e outro na Itália, a uma velocidade 60 nanossegundos mais rápida que a da luz – de acordo com a teoria de Einstein, isso seria impossível. Os resultados foram publicados para que a comunidade científica pudesse avaliá-los.

Uma segunda tentativa em novembro continuou dando o mesmo resultado, enquanto físicos do mundo inteiro coçavam a cabeça, tentando descobrir eventuais erros e imaginando como seria um universo em que a Teoria da Relatividade não fosse mais válida.

Mas porta-vozes do CERN admitiram nesta quarta-feira (22) que técnicos do Centro descobriram no início do mês que a discrepância pode estar relacionada a problemas com o GPS usado na experiência. Foi descoberta uma má conexão do cabo ótico que ligava um GPS a uma unidade de processamento do OPERA. Esse problema gerava justamente os 60 nanossegundos a menos registrados na experiência. Outro problema pode ter sido na sincronização dos dados do GPS com o processamento central.

De acordo com James Gillies, do CERN, essa hipótese ainda tem que ser confirmada, com a repetição dos testes, agora com todos os cabos e equipamentos em ordem.

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/ ... 73803.html
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spica Re: Relatividade Geral

Mensagem  Bruno em Qui 19 Abr 2012, 23:43

Apesar dessa experiência aparentemente mal sucedida com os neutrinos ainda persiste o denominado efeito de "tunelamento" ocorrido durante o experimento no qual os fótons se deslocaram a uma velocidade impossível de ser medida.
Reproduzo o texto abaixo:

" Cientistas afirmam ter superado a velocidade da luz.
Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/08/2007
Nimtz e Stahlhofen construíram dois prismas triangulares de vidro, formando um cubo cujas arestas medem 40 centímetros.
O Dr. Günter Nimtz tenta há vários anos desafiar um dos principais pilares da Física atual, o de que nada pode superar a velocidade da luz.
Os resultados de suas pesquisas nunca suscitaram a unanimidade entre os seus colegas físicos, mas agora ele e seu colega Alfons Stahlhofen estão sendo categóricos em afirmar que finalmente conseguiram fazer com que fótons viajassem mais rápido do que a teoria diz ser possível.

Velocidade da luz:
Segundo a Teoria da Relatividade, formulada por Albert Einstein há mais de um século, nada no nosso universo pode viajar mais rápido do que luz. Essa velocidade, geralmente arrendonda para 300.000 km/s é na verdade de exatos 299.792.458 metros por segundo.
Outros pesquisadores já fizeram uma parte de um sinal óptico viajar mais rapidamente do que a velocidade da luz, mas foram cautelosos ao afirmar que seus experimentos não contrariam a Teoria da Relatividade (veja Experimento faz luz viajar acima da velocidade da luz.)
Já os dois pesquisadores alemães não parecem estar interessados em fazer uma ressalva como esta: seu artigo chama-se Violação Macroscópica da Relatividade Especial (veja Bibliografia, abaixo).

Tunelamento:
Em seu experimento, os cientistas utilizaram um fenômeno chamado tunelamento, pelo qual partículas são capazes de atravessar barreiras sólidas, aparentemente intransponíveis. É como se você colocasse a mão sobre o facho de uma lanterna e a luz atravessasse sua mão e continuasse a iluminar os objetos à frente.
Nimtz e Stahlhofen construíram dois prismas triangulares de vidro, formando um cubo cujas arestas medem 40 centímetros. Como os fótons tunelam mais facilmente em distâncias equivalentes ao seu comprimento de onda, os cientistas utilizaram microondas. Com um comprimento de onda de 33 centímetros, as microondas permitem o tunelamento por longas distâncias, mas continuam podendo ser dobradas pelos prismas.

Ultrapassando a velocidade da luz:
As microondas passaram direto pelo cubo, como esperado. Quando os prismas foram separados, o primeiro prisma refletiu as microondas. Entretanto, alguns fótons também tunelaram através do espaço que separava os dois prismas e continuaram em frente, como se os prismas ainda estivessem unidos.
As medições dos cientistas revelaram que os dois feixes, tanto o que passou direto, quanto o que sofreu o tunelamento, chegaram aos fotodetectores exatamente ao mesmo tempo. Isto sugere que o trânsito entre os dois prismas aconteceu de forma ultra-rápida, mais do que a velocidade da luz. Segundo os cientistas, a velocidade é tão alta que eles não conseguiram medí-la."


Bibliografia:
Macroscopic violation of special relativity
G. Nimtz, A. A. Stahlhofen
arXiv.org
5 Aug 2007
http://arxiv.org/abs/0708.0681v1

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spica Re: Relatividade Geral

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