Observações de Marte na próxima oposição.

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spica Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Sab 29 Out 2011, 23:43

Em breve Marte, o planeta vermelho, estará mais próximo da Terra, e esse mundo é muito interessante pois além de seus detalhes clássicos na superfície, fenômenos muito interessantes ali ocorrem, como por exemplo a variação no tamanho das calotas polares, as misteriosas nuvens azuis e o fenômeno das fases quando ele estiver em quadratura.


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spica A coloração vermelha de marte.

Mensagem  Bruno em Dom 30 Out 2011, 00:24

A cor avermelhada do planeta Marte é originada pelo material rochoso em sua superfície fragmentada, rica em ferro e seus óxidos.
Abraços.


Última edição por Bruno em Seg 21 Nov 2011, 11:26, editado 1 vez(es)
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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Admin em Dom 30 Out 2011, 00:32

A descoberta de Marte mais conhecida que se tem, foram pelos gregos a centenas de anos A.C.
Este também foi um dos primeiros a se especular sobre vida inteligente fora da Terra inspirando vários filmes de ficção científica!
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spica Marte em Novembro

Mensagem  ajc em Sex 25 Nov 2011, 04:22

A 40 graus de altura e ainda muito pequeno, Marte fica desafiador. Ficam aqui algumas imagens para quem gosta de desafios:




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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Sab 26 Nov 2011, 21:45

Ôpa ajc,
excelente essa sequência fotográfica de marte, com as configurações marcianas se deslocando através da rotação denunciada nas fotos do limbo leste para o oeste, com o eixo do planeta bastante inclinado na foto e a calota polar sul bem visível, além da forma de fase no globo a leste denunciando o planeta estar em quadratura.
Seguindo a sequência das fotos apresentadas no sentido das setas temos 8 fotografias da esquerda para a direita, começando pela primeira foto superior do lado esquerdo.
Ao tentarmos reconhecer as principais configurações na superfície de marte, em primeiro lugar devemos começar com a identificação das áreas mais escuras pois as mais claras e avermelhadas são desertos que ora são monótonos, ora são varridos por repentinas e violentas tempestades de vento espalhando o material avermelhado dos desertos por boa parte do globo chegando mesmo a encobrir as regiões escuras.
A região escura e grande próxima ao pólo sul que vemos na 1ª foto de marte é o famoso Mare Acidalium, situado no hemisfério sul do planeta.
A nordeste temos a região do golfo de Sinus Meridiani já entrando pelo limbo na 2ª foto, antecipando a vinda logo atrás de Sinus Sabaeus na 3ª e 4ª fotos seguidas pelo Mare Serpentis.
Mais atrás e a leste fazendo uma ligação com a mais famosa mancha triangular observada em marte, a Syrtis Major, temos o Sinus Deltoton, visto na 3ª foto continuando até na 8ª foto, bem em cima do meridiano central do planeta. A região entre Syrtis Major e a calota polar chama-se Isidius Regio.
Na 8ª foto também vemos perto do pólo sul uma região escura parecida com uma estrutura triangular porém angulosa, parecida com um boomerange, que são as regiões de Casius a sudeste, sul e sudoeste, Troth em cima do meridiano central e Nepenthes a leste.
São relativamente em menor número na superfície de marte as regiões escuras pois cerca de 2/3 da superfície é coberta por regiões mais claras e de cor alaranjada, que são as áreas desérticas e aparentemente mais estáveis.
O reconhecimento das regiões escuras juntamente com as calotas polares são o que tornam o estudo desse mundo interessante e desafiador, além das misteriosas nuvens azuis, vistas nas camadas mais altas da atmosfera marciana na cor branca através de filtros azuis.
Muitos estudos cuidadosos mostraram que as modificações observadas anunciaram variações em suas morfologias, geralmente devido aos escurecimentos rápidos das regiões claras que margeam as mais escuras.
É Importante também verificar que na observação das calotas polares notamos que elas se fundem no verão e que se expandem no inverno marciano, chegando mesmo a acontecer os seus desaparecimentos quase que completos de acordo com as estações por lá, e quando visíveis as calotas geralmente apresentam um anel escuro que as circundam e que variam de tamanho conforme os delas também variam.
Existem também as regiões com colorações pardo-esverdeadas e que cobrem a 3ª parte restante do planeta contornando as regiões mais sombrias. A grande maioria das manchas esverdeadas aparecem durante a primavera marciana, porém mudam para uma cor parda chegando até mesmo a algo próximo do violeta durante o verão e no outono nos dois hemisférios. Algumas manchas que se apresentam esverdeadas no verão marciano tem as colorações modificadas de pardas para castanho escuro.
Como vemos então, uma boa quantidade de detalhes podem serem observados em marte durante as oposições e um bom conhecimento prévio de suas estruturas mais evidentes, vão facilitar a identificação delas durante as sessões de observações do planeta vermelho, que é um verdadeiro desafio de se observar e ainda cheio de mistérios.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 18:42, editado 3 vez(es)
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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Dom 27 Nov 2011, 08:42

A observação de marte em refratores possui uma longa e interessante história na evolução do reconhecimento das suas principais configurações.
A luneta utilizada por Galileu permitia verem separados pontos distantes a 10" de arco, cerca de seis vezes mais potente que o olho humano.
Em 1630, vinte anos depois de Galileu ter apontado a sua luneta para o céu construíram-se lunetas com um poder separador de 3" de arco, e alguns pormenores puderam serem entrevistos na superfície do planeta vermelho. O astrônomo Fontana constatou uma mancha no centro do disco do planeta e que foi batizada por "pílula", mas era uma região muito diminuta e não passou disso (acredita-se que era inclusive um defeito em sua lente), e nem mesmo a calota polar foi percebida por ele. Ela foi observada pela primeira vez bem depois em 1670 por Huygens com uma luneta cujo poder separador já era de 2" de arco, cerca de 30 vezes maior do que o olho humano. Dez anos após, em 1680, foi a vez de Cassini começar a divisar melhor um maior número de pormenores com uma luneta dessa vez com um poder separador de 1" de arco.
Esses instrumentos ainda eram insuficientes para um estudo sério de marte, principalmente por causa das objetivas com um só elemento que sofriam com a aberração cromática. Mais na frente na história, no século XVIII é que a ótica sofreu um avanço melhorando muito a nitidez dos detalhes observados no planeta. Compreendeu-se então nessa época que o poder resolutivo ou a capacidade de se observar e separar detalhes na superfície de um astro é proporcional ao diâmetro da objetiva utilizada.
Finalmente no começo do século XIX a descoberta da objetiva acromática permitiu então construirem lunetas com um poder separador de 0.5" de arco, e que no final do mesmo século esse poder separador chegou a 0.25". A partir de então foi possível descobrir um maior número de configurações na superfície marciana e mapear o planeta, sem deixar de mencionar as valiosíssimas contribuições dos maiores observadores do planeta vermelho como Cassini, Maraldi, Schroeter, Huth, Flammarion, Schiaparelli, Lowell, Asaph Hall, Antoniadi, Beere e Madler (com um refrator de 95mm), Arago (com um refrator de 108mm), Comas Solá na Espanha, H.P. wilkins, Jean nicolini, Nelson Travnik e muitos outros grandes aerógrafos.


Última edição por Bruno em Sab 14 Abr 2012, 01:19, editado 6 vez(es)
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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Dom 27 Nov 2011, 17:34

Um dos maiores especialistas na observação de marte foi Antoniadi, o que primeiramente estudou a fundo a importância dos variados aspectos coloridos observados através de um refrator nesse planeta, desde a sua coloração rósea-alaranjada, as pardacentas, as esverdeadas e a branca nas calotas polares, sem esquecer-mos das nuvens azuis em grandes altitudes na atmosfera marciana. Para tanto ele utilizava uma gigantesca luneta de 830mm de abertura do observatório Meudon na França, concluindo que a grande maioria das manchas que são esverdeadas na primavera marciana, ficam pardas e depois violetas durante o verão e o outono de cada hemisfério apresentando assim um colorido variável e mutante. Realmente no meio do verão marciano algumas manchas esverdeadas passam de esverdeadas para pardas e depois ficam "escuras como chocolate" como dizia o grande Jean Nicolini. Também são observadas extensões azuladas e arroxeadas na região do equador.
Marte era chamado "Ares" pelos gregos, daí o nome aerografia para o estudo deste mundo.
A aerografia centraliza-se nas regiões escuras por desenharem as configurações que caracterizam os detalhes mais característicos no planeta. Estas manchas desenham sobre a superfície deste planeta o que constitui a aerografia própriamente dita.
Além da interposição de nuvens, outras variações ocorrem nas manchas escuras quando uma região mais clara margeando essas áreas sofrem repentinos escurecimentos alterando a morfologia nos contornos das regiões escuras.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 18:44, editado 2 vez(es)
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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Seg 28 Nov 2011, 21:52

Continuando sobre a evolução do estudo de marte, foi durante o século XIX que apareceram os maiores estudiosos desse planeta, os que contribuíram com observações valiosas sobre as principais configurações observadas telescópicamente na superfície marciana.
Talvez o observador mais altamente levado em conta foi Flammarion que iniciou uma era de observações sistemáticas desse planeta, com registros de observações minuciosas e muito precisas e curiosamente utilizando aumentos de até 1000x ou mais em lunetas com aberturas superiores a 175mm.
Depois temos Proctor e Green como os primeiros a elaborarem um planisfério de marte, conjuntamente com o italiano Schiaparelli seguido por Lowel e para definitivamente serem estabelecidos parâmetros mais precisos quanto à observação telescópica das variações na coloração e das configurações mais evidentes através do observador Antoniadi. Do observatório gelado em Meudon na França e armado com uma luneta de cerca de 15 metros de comprimento e 83 cm de abertura, Antoniadi estabeleceu e deixou os seus registros das configurações na superfície marciana e das variações nas calotas polares e sobre as variações do anel que as circundam determinando assim as estações marcianas, e com isso tentar estabelecer uma periodicidade entre elas embora ainda inexata quanto às datas de reincidências delas, pois esse planeta parece adquirir personalidade própria quando súbitamente encobre as manchas em sua superfície ou mesmo quando observamos deformações ou modificações nas bordas delas, nos limites entre as regiões escuras e claras.
Ele confirmou também que a intensidade das estações em marte não é a mesma nos dois hemisférios. No verão marciano, o pólo sul tem a sua calota polar diminuída por verões muito quentes, e invernos extremamente frios. No hemisfério norte os verões são mais frescos e os invernos menos rigorosos. A extensão das calotas polares em marte indicam o rigor do clima nas regiões próximas aos pólos. Quando uma delas desaparece o limbo local pode apresentar irregularidades devido aos relevos montanhosos.
E deixo um aviso aos observadores de marte nessa próxima oposiçao dele em abril de 2012 sobre quanta paciência se precisa para se efetuarem observações telescópicas úteis desse planeta. Basta apenas lembrar que no mínimo dois fatores que podem passarem despercebidos e influenciam decisivamente na observação desse planeta é pelo fato de ela ser feita através de duas atmosferas, a nossa e a de marte, com ambas sujeitas a variações climáticas, e ainda por causa da rotação dos dois planetas que acabam permitindo somente uma boa observação da região central do disco do planeta apenas durante um par de horas por noite, e não mais do que 40 noites seguidas durante as oposições que só acontecem somente a cada dois anos.


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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Chagas em Sex 02 Dez 2011, 13:29

Abaixo o link de um dos mais interssantes livros escritos sobre a história da observação de Marte:


http://translate.google.com/translate?hl=en&sl=en&tl=pt&u=http%3A%2F%2Fwww.uapress.arizona.edu%2Fonlinebks%2FMARS%2FCONTENTS.HTM


Um abraço

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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Chagas em Sex 02 Dez 2011, 19:35


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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Ter 06 Dez 2011, 18:26

Observação de Marte:

Realizei nesta madrugada do dia 06/12/2011 às 05:00hs (TU/UT 08:00) a minha primeira observação de marte com a minha luneta de 4" F/15. Antes de começar a observar já esperava ter alguma decepção mas esperei ele subir até uns 60º acima do horizonte leste e apontei para ele armado com 157x.
Ví um diminuto disco alaranjado, com a calota polar como uma pequena mancha branca um pouco proeminente no pólo. Avançei para 175x e não houve mudança significativa. Continuei até 196x e pude perceber um escurecimento no meio do disco do planeta e a calota polar mais nítida. Como a transparência atmosférica estava excelente tentei me aproximar do coeficiente máximo que o meu refrator aguenta que é 257.5x, chegando com 242x utilizando uma ocular de 6.5mm. Para a minha surpresa o disco do planeta apareceu bem nítido e sem aberrações, e com ele apresentando agora uma coloração meio róseo-alaranjado e com um diâmetro aparente apreciável embora ainda pequeno, mostrando uma ligeira fase a noroeste com a calota polar sul se apresentando ora branca ora rosada, e ora ambas as cores misturadas, e com um volume proeminente e bem destacada, com um diâmetro possível de ser apreciada, e no centro do disco pude visualizar uma mancha semelhante a uma "asa delta" de "ponta cabeça" com as pontas das asas mais alongadas, como um grande V com as duas extremidades caminhando uma para nordeste e outra para noroeste. Além disso nada mais pude visualizar, nem posso afirmar com exatidão que mancha foi essa que eu observei, talvez pelo seu formato triangular e localização tenha sido Sirtys Major porém não posso confirmar nada pois marte além de pequeno está ainda muito longe. O uso de filtros não resultou no que eu esperava, pois as imagens sem filtros estavam muito boas apesar do aumento elevado (242x), e o tradicional filtro #21-laranja não surtiu o efeito desejado que é o de separar as regiões escuras das mais claras na superfície marciana, sendo que dos filtros que utilizei os melhores contrastes ficaram por conta do filtro #11-amarelo-verde.
Marte ainda está muito longe, mas tive a sorte de pelo menos além da calota polar e da ligeira fase gibosa a noroeste, observar também uma configuração triangular de cabeça para baixo no meio do disco do planeta.
Nas principais oposições que acontecem de 15 em 15 anos marte chega a uns 56 milhões de km da terra, porém dessa vez será a oposição que ocorre de dois em dois anos e marte se aproximará de nós a cerca de 80 milhões de km.
Rumando para outra oposição o planeta vermelho já começa a nos mostrar as suas misteriosas configurações!


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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Sex 09 Dez 2011, 15:04

Graças a um alerta do colega Chagas, creio que na minha primeira observação de marte postada anteriormente eu tenha na realidade notado alguma manifestação na atmosfera marciana e não uma configuração da sua superfície, pois ao observar sem filtros e com a filtro#21-laranja, eu via o disco do planeta completamente alaranjado, e apenas observei o escurecimento em forma triangular ao utilizar o filtro#-11 amarelo-verde. Se fosse uma configuração da superfície marciana o filtro laranja teria denunciado pois a sua função é delimitar as regiões mais escuras das mais claras, e isso eu não ví.
Portanto fica uma incógnita e um alerta pois marte é um planeta que com muita facilidade pode nos mostrar configurações que na realidade não correspondem ao que pensamos ser e assim acabamos nos confundindo. Terei de esperar marte se aproximar mais um pouco e aí então fazer novos testes. Fico tentando imaginar a emoção de Schiaparelli ao observar inúmeras configurações sujeitas a mudanças devidas ao clima marciano.
Vamos ver nessa 2ª quinzena de janeiro e em fevereiro o que eu consigo observar, e mesmo que pareça um absurdo desta vez irei tentar inclusive com uma ocular de 4mm e 393x de aumento, embora eu saiba que a minha luneta aguenta no máximo 257.5x de aumento.


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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

Mensagem  Bruno em Seg 02 Jan 2012, 21:04

À partir do próximo dia 15 em janeiro marte começará a apresentar um aumento em seu diâmetro aparente de forma perceptível. É importante termos à mão um mapa das configurações mais evidentes em sua superfície para auxiliar na observação visual a tarefa de nomear as regiões escuras. Diferentemente da astrofotografia, na observação visual o planeta marte fica extremamente brilhante mesmo nas oposições afélicas, e as regiões escuras podem repentinamente sofrerem modificações ou até mesmo desaparecerem devido a tempestades de areia que ocorrem esporádicamente nos desertos marcianos. De repente, o planeta que apresentava belas configurações escuras torna-se completamente alaranjado, sem nenhum detalhe. As calotas polares também sofrem modificações significativas durante as oposições e a região escura ou linha que delimita e margeia ambas as calotas devem serem cuidadosamente observadas durante as suas variações. Alguns registros de luminescências de curta duração já foram relatadas nas regiões escuras por observadores renomados.
Para refletores, prefiro não dar muito palpite, apenas que instrumentos de 150mm a 200mm com um F/6 e aumentos entre 200x e 300x podem fazer um bom trabalho.
No caso dos refratores uma atenção especial deve ser dada ao uso de filtros adequados principalmente quando possuem um F entre 10 e 12, tanto para melhorarem o contraste entre as áreas claras e as escuras como o #21-laranja, quanto o #11-amarelo verde para a detecão de nuvens amareladas e o 80A ou o 82A azuis pois com filtros dessa cor elas irão aparecer como tênues manchas esbranquiçadas nas camadas mais altas da atmosfera marciana.
E aumentos entre 140x a 200x são requeridos para os instrumentos de 70mm a 90mm ao se observar marte. Ele não é um planeta de grandes dimensões e o seu brilho excessivo às vezes atrapalha.
Apesar de chegar bem próximo da terra, algo em torno de 80 milhões de quilômetros nessa próxima oposição em meados de março e princípio de abril, utilizando 140x as configurações mais importantes poderão serem visualizadas, e as variações nas calotas polares poderão serem registradas. Com aumentos da ordem de 200x as regiões escuras começam a se contrastarem melhor e com mais definição em relação às áreas claras e o uso de filtros é bastante recomendado, ficando assim mais fácil nomear as configurações menores. Com refratores de 100mm e F/15 com aumentos entre 200x e 250x durante as oposições as configurações escuras e algumas nítidamente mais claras, num espaço de uns 40 dias poderão serem registradas de modo a formar um panorama geral da distribuição e localização desses principais e mais evidentes acidentes na superfície marciana.
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spica Re: Observações de Marte na próxima oposição.

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