Pedro Ré e as suas dicas de astrofotografias.

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spica Pedro Ré e as suas dicas de astrofotografias.

Mensagem  Bruno em Qua 09 Maio 2012, 11:39

Aproveitando a contribuição de astrônomos além-mar, reproduzo abaixo um texto do astrônomo português Pedro Ré:

"Um outro tipo de fotografia astronómica consiste na realização de astrofotografias através de um telescópio. Para tanto torna-se necessário acoplar uma câmara fotográfia a um telescópio sendo diversos os processos que poderemos utilizar (fotografia no foco principal, projecção directa positiva e negativa, sistema afocal, telecompressão, etc.).
São vários os tipos de telescópios que se podem utilizar em astrofotografia (telescópios refractores, reflectores e compostos ou catadriópticos). Cada tipo apresenta vantagens e inconvenientes relativamente à sua utilização em fotografia astronómica. Os telescópios refractores possuem uma objectiva que consiste num conjunto acromático ou apocromático de lentes enquanto que nos telescópios reflectores a objectiva é constituída por uma superfície óptica reflectora, normalmente um espelho. Existem ainda um terceiro tipo de telescópios (compostos) que utiliza lentes e espelhos como elementos ópticos. A escolha de um determinado tipo de telescópio para a realização de astrofotografias deverá obedecer a vários critérios. Não existe um único telescópio adequado para todos os tipos de fotografias astronómicas. Os telescópios refractores além de possuirem distâncias focais relativamente longas (f/8 a f/15) apresentam ainda alguma aberração cromática residual. Os telescópios reflectores são talvez os mais adequados pois não possuem qualquer aberração cromática e podem apresentar distâncias focais variadas (f/3.5 a f/10). Os telescópios compostos ou catadriópticos apresentam características intermédias mas atingem preços por vezes proibitivos.
Quase sempre as primeiras fotografias que se efectuam através de um telescópio são fotografias da Lua. A Lua é na realidade o corpo celeste mais fácil de fotografar. Apresenta um albedo (capacidade reflectora) baixo e um diâmetro angular considerável. Para tanto basta acoplar uma câmara a um telescópio (no foco principal ou através de projecção directa ou afocal), e efectuar uma exposição, que neste caso será de uma fracção de segundo (1/15 a 1/1000 s).
Os problemas que surgem neste tipo de astrofotografia são variados. Em primeiro lugar a exposição correcta (dependente da película fotográfica e do sistema óptico) a utilizar só pode ser determinada depois de efectuados vários testes. A focagem correcta pode igualmente causar dificuldades se não se possuir uma câmara reflex. Os melhores resultados são quase sempre conseguidos recorrendo à utilização de uma película de baixa ou média sensibilidade (ISO/ASA 50 a 125) e realizando a fotografia no foco principal sem a interposição de quaisquer outros elementos ópticos entre a objectiva do telescópio e a câmara fotográfica. As dimensões da imagem lunar na película fotográfica variam naturalmente com a distancia focal do sistema óptico utilizado (um sistema óptico com 1m de distancia focal produz uma imagem da lua com 0.91cm de diâmetro). Se pretendermos fotografar pormenores da superfície lunar teremos de recorrer à utilização de técnicas distintas. Neste caso será mais aconselhado efectuar fotografias por projecção directa (negativa ou positiva). As poses serão naturalmente mais longas e será neste caso necessário "guiar" a fotografia, ou seja acompanhar durante a exposição o movimento realizado pelo nosso satélite na esfera celeste (quer em ascenção recta quer em declinação).
As mesmas técnicas poderão ser utilizadas para fotografar outros membros do nosso sistema solar. É o caso dos planetas Vénus, Marte, Júpiter e Saturno. As exposições a utilizar nestes casos são da ordem de 1 a 20 segundos revestindo-se este tipo de fotografias de maiores dificuldades. De igual modo podem-se realizar fotografias da superfície do Sol desde que se utilizem filtros adequados. Em todos estes tipos de astrofotografias é necessário considerar previamente a turbulência atmosférica que condicionará a qualidade das fotografias efectuadas. Com efeito as condições atmosféricas (transparência e turbulência) variam consideravelmente de dia para dia e de local para local de tal modo que é raro obterem-se resultados fotográficos equivalentes em dias consecutivos ou mesmo na mesma noite. Deve-se neste caso sempre que possível efectuar as fotografias quando as condições atmosféricas são mais favoráveis (turbulência reduzida e transparência elevada).
Um último tipo de astrofotografia consiste na realização de fotografias de objectos celestes de baixa luminosidade (galáxias, nebulosas de emissão e de reflexão e cúmulos ou enxames estelares abertos e globulares)."

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