Formações geológicas na superfície da Lua.

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spica Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Bruno em Ter 01 Nov 2011, 22:36

Ao tratarmos da Geologia lunar, perguntas e mais perguntas ainda continuam em aberto pois ainda não temos um conhecimento pleno de como a sua superfície foi modelada, se foi por um número de eventos catastróficos ou se aconteceram de forma gradual.
Sendo então precisamos estabelecer uma escala em conformidade com a geologia, de tempos relativos e com uma sequência estratigráfica denunciando as eras, os períodos e as épocas.
No caso da superposição estratigráfica nos depósitos sedimentares aqui na terra, nós aprendemos que um sedimento novo sempre se sobrepõe a um antigo. Como os dobramentos e as falhas provocam alterações, várias lacunas são encontradas nos registros estratigráficos e nos efeitos das erosões.
Aplicando a estratigrafia à geologia lunar podemos com isso identificar um determinado estrato na lua e relacioná-lo com alguma formação rochosa mais antiga.
Porém estamos impossibilitados de um exame das seções verticais da crosta lunar, pois só nos é possível ver algo mais do que encostas arredondadas e cobertas por espessas camadas de detritos provocados pelas erosões. Nos resta então mapear os diferentes tipos de terrenos para descobrir-mos quais são os mais antigos.
O mais importante é a morfologia, a localização e a proporção em área dos diferentes tipos de terrenos encontrados. Por exemplo, podemos notar que certas regiões lunares tem um albedo superior ao de outras, umas às vezes se destacam mais através de um determinado filtro colorido, ou em uma determinada época da lunação, composições químicas diferentes e etc... .
Torna-se então evidente que os mares são em geral mais recentes do que as montanhas e é verdade que em algumas destas áreas podemos encontrar uma menor densidade de crateras do que nos mares mais antigos, porém essa diferença numérica não se estende às crateras de maior porte, indicando apenas que as crateras menores são mais facilmente soterradas nas montanhas em razão dos seus declives que são maiores.
Portanto, dentre as várias regiões lunares que podemos distinguir estão as crateras, os mares, as bacias, as capas de ejetos tanto das crateras como das bacias, as ranhuras ou fendas sinuosas (as rimas), as cristas de enrugamento nos mares, os domos, as escórias e os terrenos vulcânicos nas montanhas.


Última edição por Bruno em Sab 14 Abr 2012, 00:12, editado 12 vez(es)
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spica Os mares na Lua.

Mensagem  Bruno em Ter 01 Nov 2011, 22:41

Retomando, dentre as várias regiões nos mares da lua, notamos diferenças marcadas pelo aspecto físico e pela idade.
Por exemplo, o Mar da Tranquilidade apresenta uma coloração azulada, e que denuncia assim o alto teor de titânio das rochas que se encontram ali. Mais para o oeste os mares tendem a serem de cor mais avermelhada e são centenas de milhões de anos mais recentes.
Mais atrás no tempo, estudos geológicos mostram que os mares mais recentes são os da parte sudoeste do Mare Imbrium e a oeste no Oceanus Procellarum.
Essas questões levantadas sobre a origem dos mares e a natureza das configurações que neles vemos constituem parte importante da controvérsia entre impacto e vulcanismo.


Última edição por Bruno em Sab 14 Abr 2012, 00:14, editado 9 vez(es)
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spica Formações clássicas na superfície lunar.

Mensagem  Bruno em Ter 01 Nov 2011, 22:42

Subdividindo as formações montanhosas, vemos montanhas lunares de cores predominantemente claras, e com elevada quantidade de crateras.
Para saber-mos se elas são o produto de atividades vulcânicas é importante salientar que as capas de ejetos (materiais escavados e lançados para fora das crateras) oriundos das maiores crateras, que são as bacias nos mares circulares, constatamos variações na estratigrafia em depósitos de distintos, como os que derivaram da bacia maior e geológicamente mais recente, e nesse caso seria o da bacia do Mare Imbrium. Assim como nas crateras, as bacias também podem apresentar capas de ejetos.
As crateras lunares variam em diâmetro desde uns poucos metros até vários quilômetros medidas de uma borda à outra. Porém podemos distinguir na Lua estruturas circulares ainda maiores, que contém uma série de anéis concêntricos de montanhas, em sequências de picos isolados com arcos montanhosos bem definidos.
Por exemplo, na bacia do Mare Imbrium encontramos três desses anéis. Portanto, podemos deduzir que essas bacias são crateras gigantecas que muito provavelmente devem terem sido criadas pelo impacto de grandes asteróides com vários quilômetros de diâmetro, e a energia liberada no impacto teria sido tão grande que, ao invés de formar-se uma borda circular e com um pico no centro, produziram-se estruturas anulares múltiplas.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 15:57, editado 4 vez(es)
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spica O estudo das crateras.

Mensagem  Bruno em Ter 01 Nov 2011, 22:43

A experiência nos mostrou que é bem mais apropriado estudar-mos as crateras lunares pela questão de como um impacto determinou a sua forma, desde as menores depressões até chegar-mos às imensas bacias com os seus múltiplos anéis.
Nas crateras menores encontramos uma ausência de bordas salientes e de uma capa de ejetos (área externa do local do impacto que fora escavado e lançado para fora contendo rochas e detritos).
As pequenas crateras encontradas no regolito (camada finamente granulada que cobre a superfície lunar), são pequenas cavidades revestidas de vidro produzidos pela fusão durante o impacto. As amostras que foram analisadas durante o programa Apollo provaram isso. Sem esquecer-mos de mencionar os reflexos luminosos (em alguns casos, nas estruturas vítreas encontradas no regolito e em áreas de impacto) registrados nas fotos dos programas de explorações lunares Rangers e Lunar Orbiters.
Quando se aumentam os diâmetros das crateras, há nelas uma redução na sua profundidade quando o diâmetro ultrapassa os 30 metros. Nessas crateras, as bordas se elevam com nitidez, e vem acompanhadas de uma capa de ejetos com rochas e fragmentos maiores (matacões). Essas são as crateras que atravessaram o regolito e escavaram o sub-solo. Dessa forma podemos estimar a espessura do regolito das áreas na superfície lunar.
Alguns escurecimentos observados nas deposições dos ejetos dentro das crateras escurecem a estratigrafia que existia anteriormente, porém há casos em que uma camada escura permaneceu à vista mesmo na parede oposta de uma cratera. Em uma perto da área de pouso da Apollo 16, a North Ray, os astronautas encontraram uma camada escura bem à mostra no fundo de uma cratera, e uma sobreposição estratifigráfica visível na parede oposta a ela.
Quando os materiais escavados a profundidades maiores são depositados dentro e bem próximo de uma cratera, nos limites da capa de ejetos encontramos materiais que originalmente ocupavam posições mais superficiais.
Nas crateras com diâmetros superiores a um ou dois quilômetros encontramos as crateras secundárias que passam a desempenhar uma função importante na formação dessa capa de ejetos, na proporção em que os blocos e os fragmentos ejetados do interior dela alteraram as áreas mais próximas, parcialmente ou totalmente.
Cerca de 20% da capa de ejetos de uma cratera são constituídas de materiais provenientes da própria cratera, e os outros 80% restantes são materiais da superfície que foram revolvidos pelos ejetos primários a eles misturados.
Nas capas de ejetos mais recentes, como na cratera Aristarchus por exemplo, podemos constatar configurações que possuem a forma de dunas concêntricas, e são as chamadas cristas radiais, vindo finalmente as crateras secundárias.
As crateras maiores da Lua sofreram e ainda sofrem modificações estruturais bastante complexas, desde as que contém simples depressões circulares (com formato de taça), até às crateras gigantescas com dezenas e dezenas de quilômetros, onde as bordas acabam resultando em fundos mais rasos, com as paredes escalonadas e com contornos acentuadamente irregulares. A inclinação das paredes internas dessas crateras podem chegar a uns 30º, e nas externas verificaram medidas menores do que 15º, o que facilitam muito os desmoronamentos causados por acomodações nas camadas de rochas e também tremores causados por reajustes térmicos no regolito.
Os perfis das crateras também se modificam perceptívelmente ao longo do tempo, surgindo então configurações causadas pelas tensões geradas durante o impacto. Eles apresentam picos centrais, anéis de picos e até estruturas gigantescas contendo múltiplos anéis (bacias), com diâmetros abrangendo até milhões de quilômetros quadrados.
Outro fato digno de nota é que as crateras mais recentes tem como característica predominante os sistemas de raias (ou raios) brilhantes, que se espalham pela superfície e que se destacam notadamente durante a lua cheia.
Com o passar do tempo, essas estruturas serão os primeiros elementos constituintes das crateras mais jovens a desaparecerem.
As superfícies das rochas recentemente expostas serão definitivamente mais reflexivas do que os fragmentos submetidos às radiações que bombardearam a Lua durante todos esses milhões de anos.
Podemos supor então com segurança que essas faixas brilhantes se desvanecem à medida que os ejetos inicialmente claros de uma cratera são fundidos por impactos secundários, e ainda apresentam escurecimentos por causa das radiações ou quando são misturadas com o regolito nos locais de deposição.
Vários fatores podem afetar a evolução de uma cratera após o desaparecimento de seus raios brilhantes.
Os principais processos dessa degradação são a destruição por impacto, a erosão, o soterramento e a acomodação resultante da deposição e da erosão. Por exemplo, se uma nova cratera se forma margeando a borda de outra com um tamanho semelhante ou um pouco menor, boa parte da estrutura original dessa cratera poderá ser alterada e com alguns poucos impactos a cratera original poderá desaparecer por completo.
As paredes das crateras também são desgastadas por um grande número de pequenos impactos, e essa erosão em menor escala vai com o tempo aterrando o interior de uma cratera e nivelando a com a sua borda, o que vem a suavizar as suas formas.
Se uma cratera não for destruida totalmente, poderá ser preenchida ou soterrada por lavas dos mares, ou então por ejetos das crateras próximas.
Consequentemente as que hoje vemos são apenas uma pequena fração de todas as crateras que já existiram desde a formação da Lua.


Última edição por Bruno em Sab 11 Ago 2012, 10:00, editado 11 vez(es)
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spica A camada superficial da Lua.

Mensagem  Bruno em Ter 01 Nov 2011, 23:27

Sabe-se que a superfície da Lua é toda coberta por uma fina e espessa camada de pó, que consiste na mistura das partículas desagregadas das rochas, e que sofreram além de efeitos químicos e os também destrutivos do vento solar, o dos raios cósmicos e dos micrometeoritos.
Quanto as estudos efetuados nas amostras lunares que foram trazidas pelos astronautas durante as missões Apollo, estes revelaram que em até alguns centímetros de profundidade, a porosidade desta fina camada de pó pode chegar a uma taxa de quase 50%. No entanto, à medida em que a profundidade aumenta, esse valor se reduz gradualmente onde o solo fora compactado pelo impacto. Por isso a densidade geral do solo lunar é pouco mais da metade das rochas das quais ela se originou. Essa porosidade, combinada com as áreas onde há ausência de água por exemplo, é também responsável por alguns efeitos sísmicos na superfície lunar nas acomodações de terrenos.
Quanto à profundidade, sabemos existir uma redução acentuada na relação entre a profundidade e o diâmetro de uma cratera, indicando a profundidade em que um impacto atingiu o regolito, além de pequenos crateramentos meteoríticos e deformações em suas estruturas químicas que foram causadas pelos átomos de Hidrogênio provenientes do vento solar.
Somente nas crateras de diâmetros superiores encontramos blocos de rochas nas suas bordas.
O regolito aumenta a sua espessura em função da escavação produzida na rocha por impactos e pelo transporte horizontal de massas. Uma estratigrafia ali revela estratos bem definidos e mostram locais em que o regolito cresceu pela deposição de sucessivas camadas de pó.
Apesar de parecer contraditório, o regolito está engrossando em um determinado lugar, e em outro está ficando menos consistente, isso porque os detritos vieram das crateras por impactos que foram produzidas no local.
Embora os meteoritos também escavem o solo com várias intensidades, a maior parte do solo escavado vai ser depositado a certa distância desses impactos (capa de ejetos), e como os grandes impactos foram mais raros do que os pequenos, o ritmo de crescimento do regolito em um determinada área pode diminuir com o tempo. Quanto mais espesso se tornar o regolito, menor serão o número de impactos capazes de atravessá-lo.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 15:58, editado 7 vez(es)
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spica TLP-fenômenos lunares transitórios ou transientes.

Mensagem  Bruno em Ter 01 Nov 2011, 23:35

Quanto aos TLPs (os fenômenos lunares transitórios ou transientes), vez ou outra são observados na superfície lunar fenômenos desconhecidos de curta duração, da ordem de alguns segundos até alguns minutos e são de vários tipos distintos:
a) pontos claros ou brilhantes
b) áreas de variação na coloração
c) névoas ou emanações gasosas
d) corpos que mudam sistematicamente de posição no solo
e) projeções de feixes luminosos
f) estruturas arredondadas em forma de bolha (domo)

A título de indicação e pesquisa, algumas áreas serão relacionadas abaixo:

1) Copernicus - cratera lunar de 93 km de diâmetro e 3800 m de profundidade, situada no hemisfério visível (10º W, 20º N). Área crivada de poços crateriformes. Partindo da cratera, extensas faixas brilhantes se estendem por milhares de quilômetros na superfície.
2) Eratosthenes - cratera lunar de 58 km de diâmetro e 3570 m de profundidade, situada no hemisfério visível (14º N, 11º W). Presença de um ponto negro no setor nordeste da cratera, que persistiu mesmo quando ela era totalmente iluminada pela luz solar.
3) Sinus Aestuum - Área lunar plana próxima do centro do hemisfério visível, sujeita a luminosidades que tendem ao violeta.
4) Tycho - cratera lunar de 85 km de diâmetro e 4580 m de profundidade, situada a (43º S, 11º W). Desta cratera partem faixas luminosas visíveis apenas durante o plenilúnio (lua cheia), cobrindo grandes partes da superfície lunar. Projeção escura em forma de V no interior da cratera.
5) Atlas - cratera lunar de 87 km de diâmetro e 3600 m de profundidade, situada a (47º N, 44º E). Manchas sombrias foram detectadas no interior da cratera.
6) Posidonius - cratera lunar de 100 km de diâmetro e 2300 m de profundidade, situada a (32º N, 30º E). esta região foi coberta por uma repentina bruma, possivelmente de origem gasosa.
7) Agripa - cratera de 40 km de diâmetro e 2900 m de profundidade, situada a (4º N, 10º E). Presença de ponto luminoso dentro da sombra projetada pelo paredão oeste da cratera.
Aristarchus - cratera lunar de 36 km de diâmetro e 3600 m de profundidade, situada a (24ºN, 48º W). Presença de fenômenos luminosos de tonalidade azul e vermelha no interior da cratera.
9)- Vallis Schroter - vale lunar em forma de fenda que começa a 25 km ao N da cratera Heródoto, com uma extensão total de 200 km e uma profundidade de 1000 m. Registro de clarões luminosos na sombra.
10) Darwin - circo lunar de 132 km de diâmetro situado a 20ºS, 69ºW). Este circo lunar apresenta domos que desaparecem, voltam e se movimentam na superfície lunar.
11) Oceanus Procellarum - planície lunar com cerca de 5 milhões de km quadrados, situada a (20º N, 60º W). Foram registrados a presença de superfícies esféricas (domos) geralmente bastante brilhantes.
12) Kepler - cratera lunar de 32 km de diâmetro e 2750 m de profundidade, situada a (08º N, 38º W). Registrada a presença de uma luminosidade avermelhada em uma ranhura (fenda) brilhante.
13) Messier e Pickering - crateras paralelas sendo a 1ª uma cratera oval de 9 km por 11 km de diâmetro situada a (2ºS, 48º E), e a segunda possui 16 km de diâmetro situada a 3º S, 7º E). Projeção de dois rastros brancos e retilíneos, dirigidos para o lado oriental da lua. Foi observada a presença de uma faixa escura entremeada de pontos luminosos que não se conservavam na mesma posição. A cratera ocidental repentinamente apareceu com uma forma elíptica retangular.
14) Mare Tranquillitatis - Planície lunar situada a (10º N, 31º E). Alinhamentos e espaçamentos regulares de estruturas na superfície, dispostas em formações aparentemente geométricas e piramidais.
15) Sinus Medii - baía localizada no centro da superfície lunar. Presença de lampejos luminosos de cor violeta.
16) Mare Vaporum - planície lunar situada a (14º N, 3º E). Registro de lampejos luminosos de cor violeta.
17) Rima Hyginus - fenda cavada na superfície lunar com uma largura de 3 km e um comprimento de 160 km, dividindo a região de Sinus Medii e Are Vaporum. Uma série de crateras estão distribuídas no interior da fenda, que pode ser a manifestação superficial de uma ruptura verificada no interior do corpo da lua.
18) Triesnecker - cratera lunar de 26 km de diâmetro e 2760 m de profundidade, situada a (4º N, 4º E). Presença de fendas paralelas.
19) Wargentin - cratera de 84 km de diâmetro situada a (50º S, 60º W). No interior da cratera encontra-se grande quantidade de material geológico desconhecido e sem classificação.
20) Palus Epidemiarum - região plana situada ao sul da cratera Campanus. Registrada a presença de domos luminosos na extremidade da região.
21) Linné - cratera com 2,4 km de diâmetro e 600 m de profundidade, situada a (28º N, 12º E). Modificações em sua estrutura são observadas a pelo menos 150 anos.
22) Eudoxus - cratera de 67 km de diâmetro e 3700 m de profundidade, situada a (44º N, 16º E). Esta cratera apareceu atravessada de leste a oeste por uma faixa estreita e retilínea projetando uma sombra cortada por uma linha luminosa.
23) Mare Nectaris - planície lunar de 300 km situada a (15º S, 35º E). Presença de sombras semelhantes a emanações gasosas.
24) Mare Crisium - planície lunar de forma circular com 500 km de diâmetro com uma área de 180.000 km quadrados, situada a (16º N, 59º E). Durante um eclipse essa área adquiriu uma tonalidade verde.
25) Proclus - cratera de formato poligonal de 28 km de diâmetro situada a (16º N, 47º E). Essa cratera é centro de irradiação de luminosidades.
26) Alphonsus - cratera lunar de 154 km de diâmetro situada a (14º S, 03º W). Emissão de gases no pico central registrada sob a forma de espectogramas. Presença de luminosidades e manchas escuras no interior da cratera.
27) Werner - cratera de 70 km de diâmetro e 4220 m de profundidade situada a (28º S, 03º E). Mudanças na base do paredão Norte.
28) Mare Humorum - planície lunar que ocupa uma área de 130.000 km quadrados, situada a (24º S, 38º W). Presença de ranhuras e fendas paralelas.
29) Mare Imbrium - planície lunar com uma área de 887.000 km quadrados, situada a (35º N, 15ºW). No setor sul da planície aparecem esporádicamente domos brilhantes e luminosos.
30) Platão - planície lunar murada de 100 km de diâmetro situada a (51º N, 09º W). Quando o sol se eleva no horizonte local, seu piso tende a ficar mais escuro. Presença de manchas brancas e ovais no interior da cratera.
31) Mons Pico - monte lunar de 2400 m de altura, cuja base mede 15x20 km, situada a (46º N, 09º W). Presença de lampejos luminosos.
32) Mons Piton - montanha lunar isolada com elevação de 2250 m de altura, situada a (41º N, 01º W). Presença de lampejos luminosos e brilho acentuado.
32) Sinus Roris - baía lunar situada a (52º N, 50º W). Presença de domos brilhantes e luminosos.

Abaixo seguem mais alguns registros de TLPs antigos:

1) 26 de novembro de 1540, 05:00. Região de Callipus. Um brilho, de aparência estelar, foi notado na zona escura dessa cratera lunar de 30Km de diâmetro.
2) 05 de março de 1587: Zona de sombra. Uma "estrela" é observada sobre o disco da lua no início do mês. O evento permaneceu inalterado entre 05h:00 e 06h:00.
3) Ano de 1650. Aristarchus, cratera de 40km de diâmetro, coloração vermelha próxima ao Mons Porphyrites (Hevélius).
4) 26 de novembro de 1668: Zona de sombra. Um ponto brilhante, similar a uma estrela é observado por vários observadores na Inglaterra.
5) 12 de outubro de 1671: Cratera localizada no sudoeste da região da lua apresenta observação anômala. (esta observação consta no relatório, mas não é citado o nome dela).
6) 12 de novembro de 1671: Pitatus. É observada uma "nuvem" esbranquiçada sobre a região (Cassini).
7) 03 de fevereiro de 1672: Mare Crisium apresenta nebulosidades na região.
18 de outubro de 1673; Pitatus. Uma marca branca é avistada (Cassini).
9) 10 de dezembro de 1706), 22h:28. Platô, cratera na região noroeste com 10km de diâmetro. Uma estria é vista no fundo da cratera durante um eclipse.
10) 12 de maio de 1706: Não cita a zona, mas informa três marcas cintilantes sobre a lua.
11) 03 de maio de 1715, 09h30. Local não precisado no relatório. É visto algo como um raio ou relâmpago sobre a face da lua, a que Louville chamou de "uma tempestade sobre o satélite".
12) 16 de agosto de 1725. Platô. Na cratera sombreada se manifesta um traço de luz vermelha sobre a região obscura.
13) 04 de agosto de 1783, 16h31. Durante um eclipse parcial do sol, lampejos foram vistos sobre a face da lua.
14) 22 de abril de 1751. Platô. Uma estria luz amarela atravessou o fundo da cratera sombreada.
15) 11 de outubro de 1772, 17h13. Durante um eclipse total da lua, uma mancha brilhante apareceu sobre o disco da lua.

Verifica-se um pico de frequência desses fenômenos durante o perigeu, e um outro pico menor durante o apogeu.
Revela-se então plenamente justificado o patrulhamento sistemático dessas e outras formações e regiões lunares, assim como o seu registro e divulgação de qualquer anomalia.
Gostaria de receber comunicados de colegas usuários que venham a detectar ( e se possível registrar por fotografias ou desenhos ) alguma anomalia na superfície lunar.
Como dizia Rubens de azevedo, seria a Lua apenas um mundo morto iluminado pelo Sol?


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 15:59, editado 6 vez(es)
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spica Possível origem dos TLPs.

Mensagem  Bruno em Qua 02 Nov 2011, 08:03

Poderiam serem então esses TLPs as descargas de gás que atravessaram a crosta lunar?
Não temos ainda como afirmar acertadamente de onde veio esse gás, se do regolito (a camada superficial da lua finamente granulada), ou se de fontes profundas no interior da lua ou mesmo ainda se devido a agentes externos à sua superfície, ou ambos.
Luminescências e fluorescências já foram observadas durante o perigeu.
Bem, sabemos que em alguns átomos que se encontram nas camadas mais externas do regolito podem serem excitados pelas radiações cósmicas incidentes, emitindo assim uma radiação secundária com comprimentos de ondas caracerísticos desses átomos. Esta radiação secundária poderia então dar origem a variações de brilhos detectados em determinadas regiões na superfície lunar.
Isto poderia explicar alguns tipos de TLPs que seriam os clarões avermelhados observados em crateras como Alphonsus, Grimaldi ou Aristarchus por exemplo.
Essa emissão secundária de radiação nos permite uma análise química da superfície lunar, e que serve para indicar os teores de alumínio para as rochas montanhosas, e os teores de magnésio para os basaltos nos mares.
Mesmo assim as classificações lunares podem sofrem distorções pois uma área situada a leste da cratera Ptolomeus é rica tanto em alumínio como em magnésio e as concentrações destes elementos nas rochas lunares são geralmente correlacionadas de maneira inversa.
Enfim, mistérios são o que não faltam no estudo da nossa Lua!


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 16:00, editado 6 vez(es)
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spica A determinação do tamanho de uma cratera.

Mensagem  Bruno em Qua 02 Nov 2011, 11:47

As variações nos tamanhos das crateras.

O que viria a ser então o tamanho de uma determinada cratera? Como a quantidade de crateras diminui com o aumento do seu diâmetro, necessitamos de uma definição mais precisa desse diâmetro. Nós sabemos que a distância de uma borda a outra define o diâmetro de uma cratera, mas o que seria então essa borda? Constatamos que a sua posição parece variar bastante no decorrer de um dia lunar. O perfil de uma cratera pode ser tal que se o Sol estiver lançando a sua luz muito baixo na superfície lunar, o ponto mais alto da borda projeta então uma sombra em seu interior, o que em condições diferentes poderiam nos levar a subestimar o tamanho de uma cratera em realidade bem maior ou menor.
O maior problema seriam as crateras mais antigas que são mais rasas, a ponto de em certos momentos elas se mostrarem quase imperceptíveis.
Portanto, algumas divergências entre os diâmetros constatados nas crateras são devidas a diferenças no ângulo de iluminação pelos raios solares incidentes.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 16:00, editado 4 vez(es)
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Xevious em Qui 03 Nov 2011, 14:50

Bruno escreveu:alto teor de titânio
Inclusive uma notícia recente informou que a Lua teria até mais Titânio doq a Terra inteira.

vemos constituem parte importante da controvérsia entre impacto e vulcanismo.
Hoje em dia, já se sabe que a Lua tem terremotos, e o maior já verificado teria sido de tamanho 7.
Inclusive é um fato curioso, porque na Terra os terremotos são derivados de placas tectônicas, mas na lua não tem Placas Tectônicas, ou será que tem, se tem devem ser bem diferentes das nossas, porque teríamos como detecta-las se fossem parecidas com as terráqueas.

d) corpos que mudam sistematicamente de posição no solo
Fenômeno muito curioso e que temos fenômenos parecidos na Terra e também em Marte.

Agora estes eu não sabia..

a) pontos claros ou brilhantes
c) névoas ou emanações gasosas
e) projeções de feixes luminosos

Rubens de azevedo escreveu:seria a Lua apenas um mundo morto iluminado pelo Sol?
É .. parece que ele é menos morto, doq pensávamos antes.

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spica Terremotos lunares (lunamotos).

Mensagem  Bruno em Qui 03 Nov 2011, 16:35

Exato Xevious,
a Lua sempre deu mostras de atividades em sua superfície e em seu interior depois das missões Apollo.
Falando em terremotos na Lua (lunamotos), sismógrafos instalados lá durante as missões espaciais Apollo, frequentemente enviam registros de abalos sísmicos distintos em 3 tipos:
1) o primeiro é um simples tremor de solo, um pequeno movimento da camada superficial da lua finamente granulada (regolito), e são provocados pela expansão térmica dele.
2) o segundo tipo ocorre em grandes profundidades, entre 600 e 1000km, nas proximidades do manto sólido.
3) o terceiro tipo ocorre em regiões não muito profundas e que não ultrapassam os 350km, e geralmente se limitam à crosta, com intensidades de até 4 na escala Richter. São vibrações rápidas chamadas de Telessismos de alta frequência.

-A questão do Titânio procede, e certamente será um dos alvos de possíveis missões lunares exploratórias que estarão por vir num futuro talvez bem próximo.

-Esses corpos que mudam sistemáticamente de lugar muitas vezes foram descritos como manchas sombrias, e um de seus maiores locais de incidência são no interior da cratera Platão.

-As névoas ou emanações gasosas já foram registradas no clássico avistamento realizado pelo Russo Kozirev na cratera Alphonsus, nos dias 2 e 3 de novembro de 1958, além de ele ter tido a chance de realizar um espectrograma dela.

-Os pontos claros ou brilhantes já foram registrados inclusive pelo pesquisador brasileiro Rubens de Azevedo no observatório astronômico da Paraíba, e outras observações também foram realizadas e fotografias foram tiradas por outro grande pesquisador lunar chamado Nelson Travnik, no observatório Flammarion.

-Os feixes ou projeções luminosas foram detectados durante as missões Apollo, inclusive um fato interessante aconteceu pois mesmo com os olhos fechados, era possível percebê-los, fato acontecido em pelo menos uma das missões Apollo, segundo relatou o pesquisador de amostras lunares Dr. Peter Cadogan, autor da extraordinária obra "Lua-o nosso planeta irmão".

Rubens de azevedo disse acertadamente em seu livro "Selene- a Lua ao alcance de todos" quando colocou esse questionamento sobre se a Lua realmente seria um mundo inerte. As evidências de que muitos fenômenos lá acontecem nós já temos, agora precisamos de observações sistemáticas e muito estudo para podermos então tentar decifrar esses enigmas.
Um abraço.


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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Xevious em Sex 04 Nov 2011, 11:50

Bruno escreveu:2) o segundo tipo ocorre em grandes profundidades, entre 600 e 1000km, nas proximidades do manto sólido.
Mas então, Lua teria algo semelhante a nossas placas tectônicas?

-A questão do Titânio procede, e certamente será um dos alvos de possíveis missões lunares exploratórias que estarão por vir num futuro talvez bem próximo.
E porque será disto?

Talvez em algum momento da história meteorítos repletos de Titâneo tenham caído na Lua e não na Terra.
Mas talvez eles também tenham caído na Terra, e tenhamos muito mais Titânio doq pensamos que temos, só que mais abaixo da superfície.

Mas a teoria de que tenha caído mais meteoritos com Titânio na Lua, da chance de ser válida uma teoria que criei, de que a Lua já teria sido maior doq a Terra, no passado, e a Terra teria "passado" da Lua, por ter recebido mais meteoritos com Ferro, resultando numa magnetosfera bem maior doq da Lua, e atraíndo mais meteoritos acelerando o crescimento, na faze de maior quantidade de meteoritos do nosso sistema solar.

-Os feixes ou projeções luminosas foram detectados durante as missões Apollo, inclusive um fato interessante aconteceu pois mesmo com os olhos fechados, era possível percebê-los
Pelo que sei, essa característica "de ver mesmo com olhos fechados" é relacionada com raios cósmicos, ou alto nível de radiação no local, e neste caso o claridade não esta "lá" mesmo, mas emitida em direção ao seu rosto.

Cara, tem tanta informação, e tão interessante, que poderia ter um tópico pra cada tipo de assunto contido só neste topico..

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spica Fenômenos lunares.

Mensagem  Bruno em Sex 04 Nov 2011, 13:06

Olá Xevious,
quanto ao seu questionamento sobre se haveria na Lua algo semelhante às nossas placas tectônicas, o que se acredita ter acontecido por lá seria que durante o processo de formação dela, uma camada de material fundido formando um oceano de magma teria coberto toda a sua superfície com profundidades chegando até uns 1000 quilômetros. Esse material fundido que sabemos hoje serem basaltos teriam se separado formando assim uma crosta e um manto.
Quanto ao titânio, embora ele possa realmente ser encontrado em alguns meteoritos, verificou-se elevadas concentrações dele nos basaltos dos mares. Embora esses basaltos registrem as concentrações de titânio, apenas uma pequena fração tem as concentrações relativamente altas, e as amostras colhidas em um único local na lua não apresentam a mesma quantidade de titânio encontrados em outras regiões.
São medidas que contém variações, e por isso ainda encontramos dificuldades para se estabelecer um parâmetro entre essas concentrações na Lua com as encontradas na Terra. Além disso a espessura da crosta que não é uniforme em toda a Lua, teria possibilitado que minerais cristalizados no oceano de magma tenham migrado para o interior da Lua, enquanto outros minerais de menor densidade fizessem um percurso ao contrário e assim formando a crosta.
Para então afirmar-mos com mais exatidão as diferenças das porcentagens de titânio entre a Terra e a Lua, teríamos que estabelecer antes o processo de aparecimento desse elemento, e a sua origem. Por exemplo, aqui podemos encontrá-lo em minerais como a Ilmenita e o Rutilo e na Lua nos basaltos de mar.
Quanto à sua teoria de que tenha caído mais meteoritos com Titânio na Lua e a Terra ter "passado" a Lua por ter recebido mais meteoritos com Ferro, e consequentemente atraído assim mais meteoritos acelerando o seu crescimento na fase de maior quantidade deles no nosso sistema solar é bastante original, porém é preciso lembrar que nos basaltos dos mares lunares também encontramos uma alta concentração de ferro.
No caso dos feixes ou projeções luminosas que foram detectados durante as missões Apollo, essa característica de ver mesmo com olhos fechados pode ser sim relacionada com os raios cósmicos, e nesse caso em particular foram devidos à emissão de radiação secundária dos átomos excitados pelo vento solar nas camadas mais externas do regolito.

Realmente estamos coligindo muitas informações aqui nesse tópico, e gostaria muito de vê-lo crescer cada vez mais.
Vamos seguir em frente e um grande abraço.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 16:01, editado 2 vez(es)
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Admin em Dom 20 Nov 2011, 00:26

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spica O estudo fotográfico da Lua.

Mensagem  Bruno em Seg 21 Nov 2011, 05:05

Rapaz, belíssima foto essa!
Vemos nela importantes crateras e talvez até contemporâneas à formação dos mares lunares e que estão encravadas nos derrames de lavas e rochas compostas de basaltos, rodeados por crateras e montanhas escarpadas a nordeste, e muitas dessas crateras contém formações centrais nos seus interiores, e cristas de enrugamento nos entroncamentos do mar da tranquilidade denunciando esses derrames, e diferenças nas colorações entre os mares visíveis denunciam uma variação na distribuição de magnésio no solo lunar, além de uma grande quantidade de crateras observadas em direção ao pólo sul lunar.
É de extrema importância "rechear-mos" os tópicos do Astro Fórum com muitas astrofotos.
inclusive, eu e o colega Chagas (grande observador lunar) estamos tentando obter uma façanha que é um bom desafio: tentar observar e fotografar com o máximo de detalhes possíveis uma ranhura ou fenda que corta ao meio o Vale Alpino. Talvez seja a herança de um canal de escoamento de lava ou uma fenda com mais de uma centena de quilômetros causada por reacomodações na crosta quando ela ainda era coberta por um oceano de lava em resfriamento.
E vou avisando para limparem as suas oculares com focos mais curtos pois serão necessários aumentos elevados, e é um bom campo de testes inclusive para refletores com grande abertura pois esse acidente necessita de resolução nos seus detalhes mais finos. Esse canal ou fenda existe de fato, ele foi fotografado pela sonda americana da série Orbiter, e eu conseguí entrevê-lo como apenas uma linha esmaecida e sem detalhes através do Jaegers armado com 390x de aumento, e creio que se o ângulo de iluminação dos raios solares incidentes na superfície lunar fossem um pouco mais rasantes na hora eu talvez teria observado a sombra das suas sinuosidades com mais contraste, com a ajuda do eterno jogo de luzes e sombras nos acidentes lunares.
Vale a pena tentarem fazer essa observação e tentar fotografá-lo. Não é impossível realizar esta façanha, pois se fizermos uma série de fotografias mostrando o deslocamento do sol se elevando sobre o horizonte lunar local, numa hora esse canal haverá de se mostrar.
Eu e o Avani já fizemos interessantes trabalhos onde ele fotografava as formações lunares e eu ajudava a classificá-las quanto à sua morfologia, a constituição minerológica nos locais fotografados, na análise de supostos TLPs com certas luminescências observadas em picos e nas montanhas lunares mais altas que às vezes confundem devido às concentrações mais acentuadas de alumínio nesses locais. Enquanto ele fotografava a lua de lá em São Paulo, eu confirmava daqui os registros dando apoio visual através de observações com o meu F/15 patrulhando essas formações lunares singulares.
Por coincidência fizemos juntos uma análise das fotos do "mapa do Brasil" na Lua, uma formação singular que inclusive foi tema de debate no 14º ENAST.
Concluí-se então que podemos contribuir substancialmente com observações de grande valor das formações lunares.
Eu e o Avani já registramos e batizamos várias formações lunares singulares sob o efeito de um interessante jogo de iluminação como por exemplo o "colar de pérolas" nas bordas de uma cratera na Lua, o "escorpião deitado" em Clavius , a "bruxa desgrenhada" tentando pegar uma garotinha no promontório das Heráclidas, e a "falsa espada na lua" numa incrível semelhança com a original, até com uma cratera próxima semelhante à Birt. Nessa época eu até mandei uma mensagem a ele informando o avistamento: " fiz hoje de madrugada uma observação muito rara devido ao ângulo de iluminção, e diria que poderia se chamar a "falsa rupes recta", pois era uma crista de enrugamento num mar de basalto na lua, que tendo o formato de uma frente extensa de um derrame de lava em linha reta, quando especialmente iluminada hoje apresentou-se como uma estrutura retilínea e escura, porém era apenas um jogo de luz e sombra, não fosse ela se localizar perto de uma cratera semelhante a Birt. Vou tentar observar na próxima lunação e dar a posição dela."
Seria bastante interessante e desafiador para os nossos instrumentos tentar-mos observar e fotografar esses acidentes singulares, especialmente o que divide ao meio o Vale Alpino por centenas de quilômetros.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 16:02, editado 3 vez(es)
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spica A origem da Lua.

Mensagem  Bruno em Seg 21 Nov 2011, 08:14

Estudos isotópicos realizados em amostras lunares recolhidas pelos astronautas durante o projeto Apollo evidenciam que a origem da Lua é relativamente local, e a hipótese de ela ter sido capturada de fora do sistema solar mostra-se inconsistente.
A constância das diversas relações elementares entre as rochas lunares fornecem informações importantes quanto à composição da dela e consequentemente em relação à sua origem. Na proporção em que a composição mineral global difere da dos meteoritos condríticos podemos inferir que isso se deve a um reflexo direto das condições físicas e químicas durante a formação da Lua.
Fatores como a pressão, a temperatura e o oxigênio livre determinam as proporções em que os vários elementos se acumulam em um fragmento de rocha, o que regula a formação dos agregrados materiais em cada estágio dessa condensação estratigráfica. Percebemos isso justamente nas deficiências da Lua em elementos siderófilos e calcófilos, como por exemplo a platina e o chumbo, e principalmente em elementos voláteis como o nitrogênio.
A grande maioria das rochas nas montanhas lunares estão datadas em menos de 4.100 milhões de anos. Raras vezes se encontram as que tem mais de 200 milhões de anos.
A sua crosta é composta em grande parte de gabro anortosítico, que durante bastante tempo foi continuamente reformado por impactos meteoríticos de todas as intensidades. Só depois desse intenso bombardeio é que foi quando os datadores radiométricos das rochas de montanha deixaram de serem "zerados".
Importantes discrepâncias verificadas em áreas próximas do pólo sul apresentam estranhamente rochas de 4.200 milhões de anos.
Sendo então, com base nessas idades verificadas concluí-se que embora os mares tenham começado a se formarem mais tarde, um extenso vulcanismo manifestava-se no hemisfério leste da Lua a até cerca de 3.300 milhões de anos atrás.
Esses são resultados que mostram as diferentes fases e eras das formações de camadas estratigráficas assim como observamos na Terra.


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spica Os Mascons na Lua.

Mensagem  Bruno em Seg 21 Nov 2011, 08:19

Devido às irregularidades da sua forma e deslocamento do seu centro de massa, os mascons distinguem-se como anomalias positivas circulares da gravidade, ou seja, são excessos de massa concentradas em determinados locais. Na face visível encontram-se invariavelmente relacionados com os mares circulares (Imbrium e Serenidade), e nos de menores dimensões (néctar, crisium, humorum e smythi).
Existem também os mascons associados ao mar orientale que tem características mais complexas.
A lava, diversamente da água, se contrai ao solidificar-se. A lava basáltica que subir por uma fenda na crosta lunar sólida, inunda o fundo de uma bacia até que a coluna de fluido equilibre a pressão correspondente à profundidade da fonte, e nesse estágio estabelece-se um equilíbrio isostático, como o mercúrio que sobe no tubo barométrico até que a sua altura corresponda à pressão atmosférica.
A lava começa então a solidificar-se e a contrair-se, abaixando o nível da superfície do mar. Esse abaixamento dá lugar a que um pouco mais de lava suba pela fenda e se espalhe sobre a superfície original, porque o nível de equilibrio fluido estará agora sobre a superfície solidificada.
Essa camada adcional de basalto, na quantidade necessária para compensar o abaixamento resultante da solidificação, dá origem ao mascon.
E consequentemente, quanto maior a bacia, maior o mascon.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 16:09, editado 1 vez(es)
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spica O marco zero das lunações.

Mensagem  Bruno em Seg 21 Nov 2011, 09:08

Necessitam-se de 29,53 dias para que o Sol, a Terra e a Lua voltem a se alinharem numa mesma reta provocando o plenilúnio ou a lua cheia. Nesse período de tempo que chamamos de mês sinódico, como as fases da Lua são mais fáceis de se identificarem do que a sua posição no céu em relação ao fundo estrelado, usamos então o mês sinódico como uma medida de tempo para dessa forma marcar os tempos das lunações.
Essa data limite de 29,53 dias marca o início e o fim de uma lunação, o que é importante para determinar-mos com a máxima exatidão possível o dia e a hora em que tenha ocorrido algum evento insólito na superfície lunar, ou para então sabermos de antemão qual região lunar estará mais favorável para ser patrulhada com as melhores condições de iluminamento.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 16:23, editado 1 vez(es)
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Admin em Ter 03 Jan 2012, 10:45

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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Bruno em Ter 03 Jan 2012, 11:27

Interessante essa ranhura no interior dessa cratera embaixo e à direita, ela quase completa um círculo terminando de cabeça para baixo, mais parece uma fina parede circular do que uma ranhura. Muito interessante.
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Natália DdM em Ter 03 Jan 2012, 15:59

Adoro observar a Lua, de tão visível no telescópio, da a sensação de que vamos ver carros andando por ali...
Gostaria de saber, se é que vocês tem este dado, aonde os prismas retro-refletores,colocados pelos astronautas na Lua (missões Apolo 11, 14 e 15) estão localizados...
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Admin em Qui 05 Jan 2012, 12:28

Natália DdM escreveu:Adoro observar a Lua, de tão visível no telescópio, da a sensação de que vamos ver carros andando por ali...
Gostaria de saber, se é que vocês tem este dado, aonde os prismas retro-refletores,colocados pelos astronautas na Lua (missões Apolo 11, 14 e 15) estão localizados...

Olá Natália!
A Lua realmente fascina à todos e é musa de poetas, pintores, músicos, entre tantos observadores.
E tem inspirado até a ti, "nesta sensação de que vamos ver carros andando por ali", ou iremos mesmo em alguns anos mais...
Respondendo sua pergunta: Apollo 11 (20 de julho de 1969) [No extremo Sudoeste de Mare Tranquilitatis;
Apollo 14 (5 de fevereiro de 1971) [Norte de crater Fra Mauro;
Apollo 15 (31 de julho 1971) [no extremo nordeste de Montes Apenninus.

Depois ponho algumas fotos dos locais, mas tenho uma dica para que gosta de estudar a Lua:
http://www.lunarrepublic.com/atlas/index.shtml


Tipo: Serra
Geológico período: Imbrian (De -3,85 bilhões de anos para -3,2 Bilhões de anos)?
Tamanho:
Dimensão: 257.0x257.0Km / 151.0x30.0Mi
Altura: 2400,0
Descrição:
Rough cadeia orientada Sudeste Noroeste. Numerosas cimeiras do lado do Mare Imbrium. Ponto Culminante é o Mons Blanc. Cortado em dois por Vallis Alpes.
Quadrante: Nordeste
Área: Norte da região da cratera Arquimedes

Editei e coloquei duas fotos uma com o nomeclaturas da geologia.






Abraços!


Última edição por Admin em Sex 06 Jan 2012, 18:16, editado 2 vez(es)
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Bruno em Qui 05 Jan 2012, 15:18

Por falar no Vale Alpino, um grande desafio é observar uma ranhura que existe dentro desse vale dividindo ele ao meio. Aparentemente essa ranhura foi o resultado de um escoamento de magma que escavou a crosta enquanto ela tinha uma constituição banhada por derrames de lavas e o basalto de mar ainda não tinha se solidificado o suficiente, e um segundo derrame pode ter sido o resultado de reacomodações térmicas que frequentemente são registradas na camada superficial que cobre a lua e que provocam rachaduras e pequenos terremotos lunares (lunamotos).
Eu tentei observar essa "fenda dentro de outra fenda", e apenas detectei uma linha esmaecida utilizando 393x de aumento no meu refrator de 4 polegadas. Acredito que sob boas condições de visibilidade e usando instrumentos com aberturas superiores esse canal de escoamento poderá ser entrevisto e até fotografado passando por dentro do vale Alpino.
Fica aí uma dica.


Última edição por Bruno em Sex 20 Jan 2012, 16:24, editado 1 vez(es)
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Admin em Sex 06 Jan 2012, 16:20

Valeu a dica Bruno.
Estou fascinado com esta 'nova descoberta da Lua'!
Vou postar outra foto aqui, não está tão boa, mas vai aí:

Abraços!
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Bruno em Sex 06 Jan 2012, 16:35

Bela cratera essa de impacto e com certeza recente na história geológica lunar, com um sistema de capa de ejetos desigualmente distribuída devido ao ângulo de incidência sem dúvida, e dotada de belas raias brilhantes.
Valeu!
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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

Mensagem  Admin em Seg 09 Jan 2012, 14:01



Saberiam dizer como chama esta fenda?

Meu local de observação:
Latitude: 04 09 05 Sul
Longitude: 39 02 45 Oeste
Data: 03/01/2012 (dd/mm/aaaa)
Hora: 21:32h (Brasília)

Telescópio CPC 1100
Webcam NexImage (Celestron)
Processamento Registax V6 e pós-processamento Photofilter
Frames utilizados 350 (50 best frames)

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spica Re: Formações geológicas na superfície da Lua.

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